A proposta das gasolineiras para um reajuste entre 20 e 30 meticais por litro, já na próxima semana, colocou o Executivo numa posição delicada. Segundo fontes do sector, a revisão tem base legal no Decreto 89/2019, que permite alterações mediante variações no câmbio e no custo do crude.
Embora os portos da Matola, Beira, Nacala e Pemba tenham recebido milhões de litros, com descargas recentes de 26 milhões de gasóleo e 52 milhões de gasolina só na Beira, as bombas continuam com falhas. O presidente dos CFM, Agostinho Langa Júnior, admite que o gargalo não está nos terminais, mas sim "dali para frente", cabendo à PETROMOC e às gasolineiras explicar o desfasamento.
O país tem hoje o combustível mais barato da região, o que atrai contrabando e automobilistas vizinhos. Enquanto isso, navios permanecem ao largo por falta de divisas para garantir a descarga, e o fundo de estabilização do Governo (cerca de 390 milhões de meticais) é tido como insuficiente.
Analistas apontam o gasóleo como o principal risco de inflação, por ser base dos transportes e da produção. E, em corredores privados, já se fala de uma possível "manobra de pressão": oferta controlada por importadores para forçar a autorização do aumento.
